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sábado, 8 de maio de 2010

Uma palavra de exortação para os filhos dos crentes que ainda estão perdidos

Nasci a 13 de Outubro de 1964 de pais que ao tempo já eram Cristãos pelo que desde a minha mocidade estive em contacto com Cristãos e cresci com uma instrução cristã. Sabia que Jesus Cristo tinha morrido sobre a cruz também pelos meus pecados, sabia que isto tinha sido a manifestação do grande amor que Deus teve pelo mundo inteiro, orava e cantava; a alguns crentes parecia até um Cristão porque aparentemente tal parecia para eles. Aos meus amigos não me envergonhava de dizer que era um ‘Cristão Evangélico’; não me envergonhava também de frequentar os locais de culto das Igrejas Evangélicas porque estava consciente de frequentar as pessoas justas mesmo se eu ainda estava perdido. Certo, chegado à idade de 16-18 anos, me dava fastio que o horário dos cultos coincidisse com os horários de algum programa televisivo que me agradava ou com alguma partida de basquetebol no pavilhão desportivo, pelo que preferia não ir ao culto (recebendo a pontual repreensão dos meus pais). Apesar disso continuava a sentir dentro de mim que ir ao culto era uma coisa justa. 

Quando tinha a ocasião disso atacava os padres, as estátuas, o incenso da Igreja Católica Romana, e me esforçava para demonstrar os erros da Igreja Católica Romana, mas é melhor dizer que fazia apenas conhecer a diferença entre nós e os Católicos romanos, apenas isso, naturalmente fazendo uso dos meus limitadíssimos conhecimentos bíblicos. Eu na realidade mais que confutar os Católicos Romanos fazia saber aos meus amigos as diferenças que eu via com os meus olhos entre os nossos ritos e as nossas práticas e as suas, tomando naturalmente a parte dos Evangélicos mesmo se não conseguia explicar biblicamente muitas coisas. Porém, ao mesmo tempo, me comportava mais ou menos como os Católicos; era um pecador. 

Como já disse, eu estava perdido. Estava perfeitamente consciente de estar perdido; no meu íntimo o sabia; estava seguro que se morresse naquele estado iria para o inferno. Muitas vezes de noite tinha pesadelos que me aterrorizavam; acordava assustado. A eternidade sem Deus me metia medo porque sabia ser um pecador diante de Deus e Ele os pecadores não os levaria para o céu. Só o pensamento de não ir para o céu me metia medo. Reflectia muitas vezes sobre o sentido da vida quando me encontrava sozinho; e quando considerava a minha existência chegava à conclusão que tinha uma vida inútil porque não conhecia e não servia o Senhor. Cá para mim dizia: ‘Mas para que serve viver uma vida como essa que eu tenho?’ e: ‘Que terei desta vida que não tem sentido porque tudo passa?’ 

Ouvi muitas vezes falar de Jesus e o apelo a aceitá-lo como pessoal Salvador e Senhor; e todas as vezes no meu interior se desencadeava uma luta tremenda. Sabia que devia fazê-lo para ser salvo, mas haviam forças espirituais adversas que me impeliam a resistir a Deus. Eu pensava que para a idade que tinha (era um adolescente) fosse ainda prematuro tomar esta decisão tão importante; pelo que adiava sempre. Deus me chamava ao arrependimento e a crer no seu Filho mas eu dizia para comigo: ‘Mais tarde, não agora’. Uma das razões porque adiava era a convicção de que quando cresse em Jesus Cristo a pouco e pouco perderia todos os meus amigos; tornaria-me inimigo deles pelo que me deixariam e para a idade que tinha, tendo presente que andava ainda na escola, não queria perdê-los. Esta convicção a tinha porque eu, embora fosse hipócrita e cobrisse muito bem a minha hipocrisia, tinha intenção um dia de deixar de ser hipócrita, isto é, o ‘cristão evangélico’ que quando estava na presença dos crentes fazia de crente e quando estava com os pecadores se conformava em agradar às suas concupiscências. Eu queria tornar-me um verdadeiro Cristão, um exemplo tanto para os incrédulos como para os crentes; sim, também para os crentes porque o que via com os meus olhos era que havia daqueles que diziam ter aceitado Jesus e que se tinham feito batizar mas faziam uma vida mundana: entre eles e os do mundo não via alguma diferença. Estava desgostoso por esta sua hipocrisia: eu ao menos não tinha decidido me batizar para testemunhar ter aceitado Jesus (e isto porque ainda não o tinha aceitado), mas eles sim (justamente porque diziam ter aceitado Jesus). Lembro que uma manhã, enquanto ia para a escola e me encontrava sozinho, falando comigo mesmo, disse: ‘Quando me converter, lhes faço ver eu!’ Disse essas palavras ingenuamente, mas sinceramente. O meu desejo, de facto, era o de deixar de ser hipócrita e fazer ver tanto aos do mundo como aos crentes que eu, aceitando Cristo, tinha decidido fazê-lo verdadeiramente não preocupado com a reacção alheia.  

No verão de 1983, depois de ter passado os exames de maturidade, fui de férias para Inglaterra. Fiquei por cerca de quatro semanas numa Escola Bíblica perto de Londres onde pagando a alimentação e o alojamento se podiam passar as  férias de verão (se tratava em suma de uma espécie de acampamento de verão). Durante a minha permanência naquele lugar, foi plantada uma tenda de evangelização no terreno pertencente àquele Instituto. Comecei então a sentir cada vez mais forte a necessidade de me decidir a crer em Cristo à medida que frequentava as reuniões. E assim uma tarde, depois de ter ouvido pela enésima vez o convite para aceitar Jesus como meu pessoal Salvador e Senhor, decidi arrepender-me dos meus pecados e crer em Cristo. Lembro muito bem que enquanto me encontrava em pé no meu lugar, enquanto eram cantados cânticos pelos presentes, convencido de pecado pelo Espírito de Deus, me arrependi de todos os meus pecados e me pus a chorar pedindo pessoalmente perdão a Deus e pedindo-lhe para me fazer um seu filho. O orgulho que por tantos anos me tinha impedido de me arrepender dos meus pecados e de me humilhar diante de Deus tinha sido derrotado com a ajuda de Deus. No instante senti como um peso sair das minhas costas e um gozo e uma grande paz vir para o meu coração. Saboreei assim a bondade de Deus, e desde esse momento fui certo de ter sido salvo do pecado e do inferno. Foi assim que começou a minha vida em Cristo. Regressado a Itália todos se aperceberam da transformação ocorrida em mim, e como tinha justamente previsto, a pouco e pouco todos os meus velhos amigos me deixaram. Mas o Senhor foi comigo fortalecendo-me  e confirmando-me na fé. 

Agora, me dirijo sobretudo a vós jovens e menos jovens que sois filhos de Cristãos mas que como eu o estive por muitos anos estais ainda perdidos, escravos de toda espécie de concupiscência levando a vida em malícia, ainda que por vezes consigais muito habilmente cobrir a vossa verdadeira conduta. Vós estais indo para o inferno, estai certos disto, porque ainda não sois nascidos de novo. Como sucedia a mim, ouvis também vós em várias circunstâncias chamar ao arrependimento mas resistis ainda a Deus. Vos exorto a não endurecer mais o vosso coração, arrependei-vos dos vossos pecados e crede que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia para a nossa justificação. Esta é a Boa Notícia do Reino de Deus, poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Vos sentireis então renascer para nova vida e nunca mais sereis os mesmos. Deus vos dará um coração novo, feito de carne, no lugar daquele de pedra que tendes agora; e porá dentro de vós um espírito novo, o Espírito do seu Filho pelo qual começareis a clamar: ‘Aba, Pai’, no lugar do espírito do mundo que tendes agora o qual é um espírito de servidão. O medo do inferno se desvanecerá de vós porque tendo-vos tornado filhos de Deus vos tornareis herdeiros do Reino de Deus que Ele prometeu àqueles que o amam. A vossa vida adquirirá um sentido; até agora tendes servido o pecado, tendes conduzido um modo de viver vão, mas uma vez renascidos tudo mudará porque começareis a viver para o Senhor que morreu e ressuscitou por nós, e portanto uma vida ao serviço da verdade e da justiça. Esta é a vida que vale a pena viver, este é o modo de viver que tem uma recompensa no mundo que há de vir. Hoje, se ouvirdes a sua voz não endureçais o vosso coração. 

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